Marcela Sapri

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Passa o Carnaval e o ano começa. Não que eu ainda não tenha entrado em 2008, mas como esse Carnaval foi de paz e tranquilidade, achei por bem começar meu ano depois dele... Até porque foi tanta coisa trash e esquisita em 2007 que sei que, infelizmente, vou carregar para o resto da minha vida, que prefiro tentar achar que posso mudar. Lógico que o saldo foi positivo, mas eu também me descobri uma pessoa medrosa, nada iludida e que pode iludir os outros. A minha grande decepção foi não só com a vida, com o dito sistema, mas também comigo mesma. Como se eu devesse, tal Tabacaria, não ter prosseguido. Mas talvez a escolha já tivesse sido feita antes mesmo de eu nascer e ter os pais que tenho ou até mesmo quando uma perda me fez tomar a red pill. Talvez isso possa parecer baboseira ou até mesmo um momento insano para muitos, mas é a mais pura verdade. Não preciso que ninguém entenda. Acho que só poucos me entendem mesmo... E eu também entendo pouco de poucos. Nunca é completo. É como examinar um animalzinho e achar que sabe o que se passa na cabeça dele... Mas nunca se sabe... É como achar que sabemos o que crianças gostam... O outro é um mistério. Sempre será.

Voltando ao animalzinho, esse ano uma das felicidades da casa foi a chegada do Yoshi, nosso gatinho metido a ter raça mas que não passa de um vira-latinha fofo e com cara de coruja... Na verdade, assim como a família, ele tem crise de personalidade. Já foi Will, Já foi Olavo, Príncipe William, agora atende por Datinho e Yoshi.

Outra grande felicidade na casa, e essa ainda maior, foi a chegada da Sophia. Nasceu miúda e cabeluda (Só fio - de cabelo, eu apelidei), mas logo tomou gosto pela comida e além de linda, é fofa e engraçadinha. Não é fresca e tem a cara do pai, a cara da mãe, a cara dos tios... Ela cada dia parece uma pessoa... Já sabemos que ela adooooora música, deve ser canhota, como o tio, e que tem olhos lindos... (apelido que também dei a ela)... Eu estou babona. Confesso. Essa foi a grande alegria do meu ano. Já fiz um livro para a Sophia (só falta ilustrar e revisar) e duas músicas... Nada demais, mas fiz antes de ela nascer. No dia mesmo que ela nasceu, eu só me dei conta de como isso tinha mudado minha vida quando cheguei em casa e, antes de dormir, chorei copiosamente. Não lembro de ter chorado assim com tanta franqueza e pureza de alegria muitas vezes na vida. Não que a emoção possa ser comparada, mas no casamento da Erika, no dia da monografia, em dias de eu te amo, chorei... Mas não havia nada de filosofia no choro dessas vezes. No dia que a Sophia nasceu e na manhã seguinte, eu não conseguia controlar sentimentos, mente, religiosidade (??) ou qualquer coisa. Era pura alegria com milhões de pensamentos que eu não entendia.

Eu poderia escrever milhões de livros para a Sophia, poderia escrever milhões de músicas e deixar de ter qualquer sentimento de maldade em relação ao ser humano só para dar o exemplo à Sophia... Imagina quando eu tiver um... Não sei se é ego... Mas é bom... E me faz sentir esperança...

Milhões de pessoas têm sobrinhos e não sentem o que sinto. Não sei se vejo o mundo de outra ótica, se é pura poesia o que vejo e sinto, se os outros estão cegos (cartas bobas do baralho) ou se apenas estou na idade certa para viver essa experiência. Mas uma coisa eu decidi para minha vida e isso já tem muito tempo. Vou ver sempre o mundo com olhos de Sophia.

 

:: Enviado por Marcela- 0:25 ::
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